Dias Úteis - Psicologia e Psicoterapia - Hiperactividade

Perturbação Hiperactiva com Défice de Atenção (PHDA)

A Perturbação Hiperactiva com Défice de Atenção (PHDA) é a perturbação neurocomportamental mais frequente na criança. Afecta entre 3 a 7 % de todas as crianças em idade escolar, sendo os rapazes 4 a 9 vezes mais afectados que as raparigas.


As crianças hiperactivas são uma fonte de desgaste constante para os pais e outros cuidadores, que muitas vezes se sentem culpados (pensam que são maus pais), envergonhados, cansados e impotentes para alterar a situação.


As crianças hiperactivas perturbam as aulas, respondem antes de ser completada a pergunta, interrompem os colegas, não aguardam a sua vez, mudam constantemente de actividade, não se mantêm sentados, não terminam as tarefas, têm dificuldade em obedecer a ordens e cumprir instruções directas. A dificuldade de concentração está sempre presente nesta síndrome. As crianças evitam tarefas que requeiram concentração, distraem-se facilmente e parecem não escutar.

O que é a PHDA – Um Problema de Saúde



A hiperactividade resulta da dificuldade no controlo da actividade e dos impulsos em situações em que esse controlo é fundamental, nomeadamente na escola.


Estudos recentes utilizando novas técnicas de imagiologia funcional, tais como o Positron Emission Tomography (PET), o Single Photon Emission CT (SPECT) e a Ressonância Magnética Funcional, evidenciam consistentemente diferenças subtis na estrutura e na função cerebral de indivíduos com diagnóstico de PHDA. Estas diferenças geralmente envolvem o lobo frontal, os gânglios basais e o corpo caloso.


Em termos simples, existe uma activação insuficiente do Córtex Frontal que impede o controlo dos impulsos e o exercício das funções cognitivas de controlo dos comportamentos. Assim, o tratamento químico da PHDA é feito com estimulantes do Córtex Frontal, sendo o mais utilizado o Metilfenidato (nomes comerciais: Concerta, Ritalina ou Rubifen).


A causa desta perturbação neurocomportamental ainda não é conhecida. Vários estudos, no entanto, apontam para uma base genética pois há maior risco de incidência em irmãos, principalmente nos gémeos idênticos, e é frequente existir um familiar próximo também afectado, geralmente o pai, nas famílias de crianças com este diagnóstico.



Tratamento da Perturbação Hiperactiva com Défice de Atenção


Os objectivos do tratamento psicoterapêutico das crianças com Hiperactividade com Défice de Atenção  são a melhoria da aprendizagem e do rendimento escolar, o desenvolvimento do equilíbrio emocional de pais e crianças, da auto-estima e das competências sociais da criança e, não menos importante, o apoio e formação aos pais, família e demais cuidadores das crianças afectadas. A evolução é habitualmente favorável quando a criança é bem acompanhada e apoiada.



Após o diagnóstico são necessários o esclarecimento e o aconselhamento adequado da criança, dos pais e dos professores. É fundamental que todos entendam esta alteração de comportamento como um problema de saúde da criança e não como um problema de disciplina. Esta atitude é o passo mais importante para uma evolução favorável. Em casa e na escola todos devem assumir uma atitude positiva valorizando os comportamentos adequados e evitando as críticas sistemáticas.


As crianças hiperactivas apresentam muitas características e comportamentos positivos, por vezes excepcionais. Podem ser muito afectuosos, prestáveis, inteligentes, meigos e criativos. Estas características são muitas vezes esquecidas e desvalorizadas devido à frequência e intensidade dos comportamentos problemáticos.


Na sala de aula o aluno deve estar na primeira fila, deve ser reduzido o número de alunos da turma e deve ser proporcionado apoio educativo individualizado. Devem adaptar-se as actividades escolares ao tempo de concentração do aluno, incentivando-o a participar nas tarefas escolares.


Existem benefícios na utilização de medicação psicostimulante na melhoria da atenção e na redução da hiperactividade e impulsividade. No entanto a medicação nunca é a primeira opção de tratamento, devendo ser sempre usada em associação com a psicoterapia e alterações da rotina escolar, da estrutura das aulas e da atitude perante a criança, evitando o stress e promovendo a auto-estima.


Aparecem muitos casos na consulta de crianças a tomar calmantes, medicados por clínicos gerais, por iniciativa dos pais ou sugestão de amigos, professores ou auxiliares. Para além dos efeitos nocivos no desenvolvimento das crianças e na maior dificuldade de formação de memórias, esta medicação tem justamente o efeito oposto ao pretendido!



​Pode encontrar mais informação sobre a PHDA no Blogue



Se deseja mais informação sobre a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção, ou necessita de informação sobre outras patologias ou problemas específicos, escreva-nos. Seremos breves a responder.​


Voltar a Especialidades



​Dias Úteis - As pessoas são tudo.​